domingo, 30 de setembro de 2012

Apeteceu-me vir mandar uma posta de pescada

Eu vejo a casa dos segredos. Não que ache que seja um programa que valha a pena, não que me fascine propriamente eles andarem lá agarrados pelos cantos que nem coelhinhos mas, porque me faz dar umas grandes gargalhadas. Mas ele há dias em que me surge um bocado de vergonha alheia. Ontem a Voz num dos seus telefonemas perguntou qual era o primeiro nome do presidente da república ao que um dos concorrentes responde "Jorge", tipo really?! O role de perguntas segue, e a próxima é "O que significa a sigla TSU?" ao que outro concorrente responde "Transportes Suburbanos!", entre mais outras quantas cujas respostas já nem me lembro de tão ridículas que foram.
Infelizmente, tenho por certo que se lhes fossem perguntar como está o estado do país provavelmente a resposta seria "Está uma merda, estão sempre a roubar-nos, não fazem nada, não sabem fazer nada", sem saberem ao certo aquilo de que estão a falar. Não querendo generalizar, mas já generalizando, infelizmente, isto é o que se passa com a grande maioria da população. As pessoas reclamam, fazem greves, manifestam-se, mas muitas delas não perdem sequer um bocado de tempo para se instruírem um bocado mais acerca de cada partido político. Ouve-se na televisão que este faz isto e aquilo e as pessoas aceitam isso sem se questionarem sobre o assunto, sem lerem, sem debaterem, sem raciocinarem. Se dizem que assim é então é porque evidentemente que assim é, "se passou na tv é porque é verdade".
Não tenho nada contra as manifestações, pelo contrário, sou simpatizante de um partido de esquerda. Mas também não sou adepta de grandes manifestações pelas quais não se sabe bem pelo que se está a lutar.
Quando andava no secundário, as greves estavam na moda, quase todas as semanas havia uma greve por uma razão diferente e, muitas vezes, perguntava aos meus colegas porque é que haveríamos de fazer greve e na generalidade a resposta era algo como "Então não vimos às aulas. Dá para ficar em casa!", ou com alguma sorte cheguei a apanhar uma resposta como "(...) porque quero lutar pelo meu futuro. O problema está em tentarem arranjar a casa quando os alicerces é que estão a cair." Não me oponho a isso, mas acho que devíamos ir mais longe: se os alicerces estão a cair então significa que a base é fraca e o terreno está alagado. E, portanto, o problema principal foi achar-se que o construtor podia criar algo bem feito a partir de algo mal feito. Passa-se o mesmo com a educação : as crianças nascem e os pais não têm tempo para lhes dar a educação baseada em princípios éticos e morais que eles próprios receberam e são empurradas para as escolas e espera-se que os professores lhes dêem aquilo que elas não recebem em casa. E a partir dai trata-se apenas de uma bola de neve. E estas crianças chegam aos 14/15/16 anos com garrafas de vodka na mão, a dançar no meio da estação do Oriente, a exigir calças de marca aos pais e dinheiro para sair todas as semanas enquanto vão a manifestações em prol de um ensino feito de baldas e copianços. Gostava de ter uma estimativa de quantas pessoas vão a manifestações e recebem cartas em casa com faltas de comportamento todos os meses, ou simplesmente, quantas daquelas pessoas não tiraram o curso mesmo à rasca ou com cábulas e graxas aos professores. Queixarmo-nos é muito bonito mas estudar de manhã à noite é que não. Termos material à borla é muito bonito mas comprar o de marca própria por serem os nossos pais a pagarem é que não. Ter bons empregos e bons ordenados é muito bonito, fazer horas extra, entregar relatórios ao fim do dia, trabalhos extra ao fim-de-semana é que não. Não estou a generalizar: há pessoas que efectivamente se esforçam e dão o litro e no fim do mês o ordenado é uma miséria para o que fizeram. Mas há pessoas e pessoas. E se há realmente muitas pessoas à rasca também há por ai muitas pessoas rascas.

13 comentários:

  1. Gostei muito deste post!
    E concordo contigo.. há muitas pessoas que não sabem ao certo o que se está a passar com o país e eu confesso que sou uma delas. Não sei bem o que se passa, tenho uma vaga ideia. Vou ouvindo coisas aqui e ali, vou conversando com a minha família sobre isso, mas no fundo não sei o que se passa. Às vezes até posso "mandar" coisas para o ar, mas no fundo não sei.
    Há imensas pessoas que trabalham que nem cães e depois recebem uma miséria, mas também há muitos que o trabalho não é assim tanto e recebem "bem".
    Pelo que percebo (posso ter percebido mal), a maior parte das pessoas que se queixam e que vão a manifestações, são aquelas que muitas vezes têm ajudas do estado (os filhos têm sase/bolsa de estudos, fazem trabalhos por fora, etc).
    Como já disse gostei muito do post, acho que tem lógica e acho que consigo perceber o teu ponto de vista sobre esta situação.
    *

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  2. Adorei e adorei :)
    Bjs e boa semana :)

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  3. Aplaudo de pé o texto! Muito bem dito :)

    Beijo
    Bom fim-de-semana ^^

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  4. Eu também vi essa passagem em particular e fiquei de cabelos em pé com tamanha burrice!!

    Beijinho*

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  5. Concordo contigo. E na parte da casa dos segredos, aquilo é tudo gente que vive para sair a noite e coisas assim.

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  6. Só não concordo com a falta de tempo dos pais para incutirem valores morais nos filhos. Os meus pais trabalhavam no campo, de sol-a-sol, não sabiam uma letra do tamanho de um boi, mas quando fui para a escola, fui aprender a ler. Valores morais levava-os de casa.
    As pessoas hoje não estão é para perder a novela, ou o jogo do Benfica, para dedicarem tempo aos filhos. Compram-nos com telemóveis e iPod's e os professores que os aturem.
    A sorte é que isto vai acabar em 21 de Dezembro. lool

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  7. Caraças, melhor post que já escreveste. Nem sequer sei por onde pegar, concordo completamente com tudo. Clap clap clap!

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